sábado, 24 de outubro de 2009

As não-escolhas é que importam.

Estou numa fase de escolhas. Ano de vestibular, as opções são muitas e as possibilidades infinitas. Pensando a respeito disso, concluí que o mais difícil não é fazer uma escolha, mas saber que uma escolha exclui automaticamente todas as outras. Se eu sou brasileiro, elimino automaticamente todas as outras opções. Se eu estou feliz, a mesma coisa acontece. E é aí que eu pretendo chegar: A dificuldade não está nas escolhas que fazemos, mas sim, na que automaticamente deixamos de fazer. Porque são as possibilidades da nossa não-escolha que nos deixam nervosos, indecisos e confusos. E são essas mesmas não-escolhas que fazem, no futuro, a gente olhar pra trás e imaginar como seria se não tivéssemos escolhido o que escolhemos.
O que a gente decidiu já está decidido. Mas o que seria de nós, hoje, se tivéssemos optado seguir a direita ao invés da esquerda? Se naquela tarde vazia tivéssemos ligado para outra pessoa? Se optássemos por namorar a Maria ao invés da Joana? O que seria de nossa vida se ao invés de fazer o que fizemos, tivéssemos feito outra faculdade? E se, se, se...
Portanto, pouco importa o que você vai fazer ou escolher. O que importa de fato, depois, é o que você não fez. Porque o que você já fez, o caminho que escolheu, você já conhece aonde vai dar. Mas o que você não fez, aquela festa que você não foi, aquela viagem que você nunca fez, ronda no campo da imaginação e das possibilidades, pisa no incerto e talvez a fantasia se encarregue de deixar tudo muito melhor.
E falando em possibilidades, afinal me diga: O que seria deste textículo se eu não o tivesse escrito? E o que você estaria fazendo, se não estivesse lendo-o agora?

     E como informação complementar, colocarei esse trecho do Fernando Sabino que achei super pertinente ao assunto: "Meu erro foi acreditar que a vida poderia fornecer material para a minha Literatura. Viver escrevendo. Não escrevi o que devia - este foi o meu erro.
     Escrever é renunciar - eu não sei renunciar. Gide disse que o diabo desta vida é que entre cem caminhos, temos de escolher apenas um e viver com a nostalgia dos outros noventa e nove. Pois bem: a Literatura é como se você tivesse de renunciar a todos os cem..."

2 comentários:

Oton disse...

É verdade, alias, todo mundo sabe disso, mas ninguem tinha pensado... eu pelo menos não.

legal olhar por esse angulo.

Emanuella disse...

Confesso que escolhas para mim são sempre difíceis. É uma boa pergunta afinal de contas um post no eco-blog faz falta né ?! Bom pelo menos para mim! =)