sábado, 11 de setembro de 2010

Carta para o quase amor

Escrevo esta carta para registrar todos os encontros que nunca tivemos. Escrevo para me lembrar de todas as luas que não pudemos olhar. Meu quase amor, que você não se esqueça de todos os convites que eu não lhe fiz e que não esqueça também as desculpas que nunca precisou dar.
Escrevo pra eternizar as noites que planejamos ficar acordados sem nos importar com quantos dias seriam precisos para compensá-las. Ah! Escrevo por todas as sessões de cinema que não perdemos, por todos os teatros que não fomos e por todos os dramas que não choramos. Escrevo também pelos filmes de terror que você não chegou mais perto. Aliás, escrevo por todas as vezes que você não chegou mais perto, seja por falta minha ou tua.
Não posso esquecer de citar todas as brigas que não pudemos ter tido e todas as voltas que só as essas brigas poderiam proporcionar. Escrevo por todas as mãos que não se entrelaçaram. Escrevo por todas as vezes que os olhares não se perderam dentro das tantas vidas que vivem neles. Quantas vidas cabem no seu olhar? Ainda não descobri, mas escrevo por todas elas também.
Escrevo pelo sol que não pôde iluminar com mais força nossa pele e por todo pássaro que não poderá fazer coral para nossa passagem. Escrevo por todos os caminhos que não poderão sentir os meus passos tão desalinhados ao lado dos teus.
Escrevo a você, que chamo de quase para não afirmar a ausência, sem pudores. Escrevo para deixar gravado tudo que não pudemos viver, por falta minha ou tua, isso já não importa.
Deixo registrado até o que dói em mim. Mas que não seja só. Quando você voltar, já não serei mais o mesmo. Então além de todas essas coisas, escrevo também pelo amor que você não teve. E talvez, nunca terá.

13 comentários:

Anônimo disse...

...

Larissa disse...

Meu discurso vai se tornar um clichê aqui no seu blog. E como eu não vou mais inflar seu ego, voce sabe o que eu acho dos seus textos. e o que eu acho sobre o que voce deveria fazer deles !

gostei muito desse, muito bonito!

George Luis disse...

PUBLICA!!!!!!!!!!!

Olha o Jabuti aí, gente!
E o Nobel???

Lorena Weasley* disse...

Mais nova seguidora e mais nova fã!
Amei este, particularmente, de tudo o que li até agora, mas vou explorar mais!

Beto Passeri disse...

Muito bom, rapaz, parabéns mesmo pelo texto. Vou ficar mais atento aqui!

Emanuella disse...

Digo e repito sempre que ainda quero ter esse prazer de esbarrar com esse eu lirico para poder conseguir expressar a ele tudo que ele me proporciona a cada palavra, cada texto...! =)

George Luis disse...

Olha um primo antigo deste teu texto aqui: http://desconstruindoeu.blogspot.com/2010/04/queria-lhe-contar-tantas-coisas.html

rs

Anônimo disse...

Concordo com a Larissinha!!!

Anônimo disse...

Lindo lindo lindo lindo...

Ju Lima disse...

Muito bom, você escreve muuuuito bem! Parabeens! =)

Gabriela disse...

INCRÍVEL ! Nossa, eu não consigo entender como você consegue escrever coisas tão bonitas e com tanto sentimento. Ao ler seus textos, eu realmente consigo sentir tudo o que o eu-lírico sente, é indescritível !

carlucho disse...

É um prazer ler os textos de meu ex aluno Yke. Sua escrita é precisa e profunda; prosaica e única. Estamos diante de um talento incontestável. Obrigado por seus textos, querido amigo.

Anônimo disse...

essas coisas que quase são ou as que deveriam ser doem mais do que as que já foram, ou do que as que são.
e, diga-se de passagem, escrito por ti ficou mais bonito. Apesar de não menos dolorido.