domingo, 4 de julho de 2010

Por Enquanto

Todos os dias o caminho era o mesmo. Não mudava de rua, não mudava de lado na calçada, não atravessava em outro sinal. Virava sempre na mesma esquina. Passo na frente de passo, passava por ele mesmo todos os dias. E assim seguia.
Vivia qualquer coisa mais-ou-menos. Conhecia a metade da alegria, sentia a metade do afeto. Toda luz era meio escura. Até que um dia, ele mudou.
Notou que tinha uma placa diferente no caminho. Reparou que o bar tinha virado uma loja de suco e que a quitanda do Zé já não tinha o mesmo dono. Reparou que os meninos que faziam acrobacias para ganhar uns trocados nem lá mais frequentavam. Viu o céu mais azul, o sol mais amarelo e o verde invadia-lhe a vista como um ladrão que invade casas. A beleza das coisas invadia-lhe a vida. Onde ele andou esse tempo todo? Todo dia passava por ali, como pode não ter notado que o muro agora era azul? E porque agora ele reparava em tudo isso?
Alguma coisa acontecia, mas ele não sabia explicar.
Mas não precisa ser nenhum sábio
pra dizer o que se está passando.
É claro que esse homem,
só podia estar amando.

3 comentários:

Emanuella disse...

Acho que parabenizar ou dizer aqui milhares de elogios não será nada mais que uma mera repetição. Mas estou impressionada com essa sua essencia romantica.

Gabriela Chaves disse...

Adoreeei, antes de ler o final do texto eu fiquei pensando também no que podia estar acontecendo com o homem pra ele finalmente reparar em tudo, mas não descobri, e quando li a ''resposta'' dada, percebi que era muito óbvio. ADOREI ! Muito bom, PARABÉNS :)

Felipe disse...

Quanta melancolia junta .to, tá muito apaixonado mesmo.
ahahahaha