sexta-feira, 23 de julho de 2010

Amor é sempre permissão

Estou habilitado para dirigir. Não tirei carteira, tirei porte de arma. Dirigir é um perigo. O que define se estou pronto ou não para pegar o carro é um papel. Não importa minha habilidade, não importa se eu acelero feito um maluco ou se rastejo feito verme. Nada disso importa. Só o papel, que começa como permissão.
O tempo me dá habilidade. O tempo garante minha perícia. Não importa se nunca mais dirigi, ou se todos os dias eu dobro a esquina da Marquês de Olinda. O peso é o mesmo. Passado um ano, viro definitivo. Definitivamente capaz.
Mas no amor não é assim. Amor é sempre carta provisória. Pode passar o tempo que for, ninguém se torna definitivo no amor. O primeiro beijo garante a habilitação. O primeiro beijo joga a gente no trânsito. Começamos devagar, sem ultrapassar, sem ameaçar, sem se atrever. O começo faz a gente ligar a seta pro lado errado, não admitir parar sem pisca-alerta e deixar o carro morrer. Não sabemos acelerar direito, não ouvimos o barulho do motor, apertamos o freio sem nem olhar para a embreagem... enfim, erramos.
O amor é uma auto-escola que só admite aulas práticas. O primeiro beijo nos matriculou, mas nem a unção dos enfermos nos gradua. É por isso que não ficamos definitivo.

2 comentários:

Gabriela disse...

Eu já te disse como eu adoro quando você compara o amor, por exemplo, com outras coisas que ninguem jamais pensaria ? Pois é, ficou ótimo o texto ! beijos

Emanuella disse...

sempre faltam palavras para essa sua nova fase, eu já não partilho da idéia que você compara e sim que você está cada vez mais colocando sua 'escondida' sensibilidade nas suas palavras !