terça-feira, 5 de maio de 2009

Sobre viver no século XVIII

Estou me sentindo em pleno século XVIII. Tem gente que diz que a moda é cíclica, de modo que o que foi considerado moda a alguns anos atrás, será moda hoje e tornará a ser daqui a algum tempo, ininterruptamente. Pois bem, ando suspeitando que o mesmo acontece com a história.
Navios estão sendo atacados por piratas, estamos ainda definindo o conceito de liberdade e igualdade, e não somente, surge agora uma gripe pandêmica que deixa o mundo em polvorosa.
Pegando essa realidade e olhando para trás, não estamos muito longe disso.
Pessoal, pirata? Tem coisa mais primitiva que isso? E se ainda fossem piratas adaptados ao novo século, usando navios possantes, armas poderosas e roupagem apropriada... mas não, são homenzinhos mixurucas, num barco de pescador de marisco, usando meia dúzia de pistolas e rifles, que, se bobear, datam do próprio século XVIII. E o fato de serem todos da Somália? Porque diabos ainda teimam em passar por lá?
No final do século XVIII acontecia a Revolução Francesa, onde se tinha uma classe se sentindo explorada e exigindo melhores condições, em oposição a uma elite parasita que vivia mamando no seio do governo e de noções desordenadas de liberdade e justiça. Alguma semelhança com o Brasil dos dias atuais?
E por fim chegamos a Gripe Suína, que só começando num país como o México pra ter um nome que não tem nada a ver com a doença. A gripe não se pega comendo carne de porco, o vírus não é exclusivo do porco, logo, não tem motivo se chamar Gripe Suína. Aliás, não tem nem motivo para se ter este alarde todo, como estamos vendo. O que acontece, na verdade, é que existe uma leva de gente que se sente atraída por essas catástrofes apocalípticas, e ajuda, então, a disseminar esse frenesi entre a população. Seguindo um pouco essas teorias da conspiração, acho que isso é na verdade uma sacada dos laboratórios de a cada ano escolherem um animal para disseminar uma doença, aumentando então a venda de remédios. Foi-se com a vaca louca, a gripe aviária e agora a suína. Isso sem lembrar das doenças antigas, que nos remetem ao tal século XVIII – ou antes -, como a gripe espanhola e a peste bubônica.
Como bem disse Bruno Vargas no Recanto das letras, talvez sejam os porcos a evolução dos seres humanos. Se o porco nem se altera com uma gripezinha humana e nós humanos sentimos tremores só de ouvir falar da gripe suína, talvez esteja na hora de evoluirmos logo para o porco.

3 comentários:

Clara disse...

Do jeito que as coisas estam: o mundo, a sociedade, os valores...
Talvez mudar pra qualquer coisa já seja evolução, ainda que pra porco.
Me indigno com essas coisas também, Yke. Essas contradições com as quais vivemos...Tanta modernidade, tanta tecnologia e ao mesmo tempo, tão pré históricos.
Ainda que não possamos fazer muito pra reverter a situação, comentamos, questionamos nos blogs, com os amigos, nos informando, nos revoltando( e por que não? ), afinal, um dia seremos o futuro. E eu espero que seja sem gripe suina e sem piratas.

Emanuella disse...

Que regresso mesmo no meio de tanta rapidez para o novo e para novas descobertas nos deparamos com essas noticias loucas e sem noção.Mais do que isso convivemos com pessoas que adoram e ajudam essas situações aumentarem!

Anônimo disse...

o que eu estava procurando, obrigado